É inegável que as preocupações em torno dos problemas ambientais têm ganhado foco nos últimos 30 anos. O derretimento paulatino das geleiras nos pólos, a poluição dos mares, as queimadas e garimpos ilegais que diminuem as florestas, a extinção de espécies animais, índices de poluição etc são alguns dos problemas em torno dos quais as sociedades e os países têm se reunido para tentar amenizá-los. No universo dos negócios não é diferente. Hoje, tem-se maior clareza sobre os impactos da degradação ambiental na economia, na saúde pública e na qualidade de vida. Desse modo, as empresas não podem estar indiferentes às ações que põem em risco a vida e a preservação do planeta e devem se adequar às prerrogativas da sustentabilidade.
Com o objetivo de reduzir o impacto ambiental da organização e incentivar o desenvolvimento da sociedade, a sustentabilidade empresarial é um conjunto de ações que contam cada vez mais para qualificar uma empresa. Tais medidas devem fazer parte do planejamento estratégico e precisam ser vistas como prioridade na gestão. Economia, reuso, aproveitamento e preservação são palavras que devem nortear as atividades empresariais, desde a concepção da arquitetura dos espaços que cria e ocupa passando pelas atividades da empresa até a entrega do seu produto ou serviço. Dentro do grande leque da responsabilidade social, a sustentabilidade é dever da organização e deve ser incorporada não somente como um conjunto de medidas que a serem realizadas, mas como um valor dirigente de um olhar para o futuro.
Mas não é apenas isso. Com um público cada vez mais atento e sensível às questões ambientais, ter a sustentabilidade como um princípio ético e realizações que demonstram e comprovam o compromisso com esse princípio, melhora a imagem perante o consumidor e aumenta a vantagem competitiva. Uma empresa deve ser vista, e ser de fato, uma contribuinte para o bem comum agregando valores à sociedade. Esqueça aquela imagem do empresário de terno e gravata sedento por negócios rentáveis que atropela qualquer regra e qualquer princípio que não lhe pareça um gráfico ascende dos lucros. Lucro e sucesso são associados, atualmente, a negócios e empreendimentos que acompanham e que respondem às demandas sociais e ambientais. A sustentabilidade envolve uma tomada de consciência que promove uma extensa mudança de comportamento. Dentro e fora da empresa, o investimento na contratação de uma boa consultoria, em treinamento, na troca de tecnologia e nas mudanças de hábitos dão como resposta o aumento de produtividade, de motivação e o crescimento nos negócios, a curto, médio e longo prazo. Nesse assunto, como em todos os outros, o empresário que não acompanha o desenvolvimento e as mudanças, que não é sensível às novas necessidades e às novas ideias, com certeza perde espaço neste novo exigente mercado.
Sheila Paulino e Silva, bacharel, mestre e doutora em Filosofia pela USP, pós-doutoranda em Filosofia Antiga, pela UFSCAR. Internacionalista. sheilapaulinofilo@gmail.com