O que é Ética e como ela influencia o resultado dos negócios - Akemi Terrin Advocacia

O que é Ética e como ela influencia o resultado dos negócios

(Por Sheila Paulino e Silva – Filósofa e Internacionalista, pós-doutoranda em Filosofia Antiga pela Universidade Federal de São Carlos – sheilapaulinofilo@gmail.com)

Poucas pessoas discordariam de que a ética é algo importante e que precisa ser discutida e incorporada para o bom convívio. Mas sabemos o que é ética? Temos claras as implicações da nossa conduta? Por que em momentos de crise, seja econômica, política ou mesmo pessoal, esse tema costuma ganhar foco? Qual o peso que damos à ética na hora da tomada de decisão? Essas são questões que fazemos desde a antiguidade e que ganha nova reformulação a cada época e segundo as características de cada sociedade. 

A ética se refere aos valores que orientam as nossas ações e pautam, portanto, o nosso modo de viver. Temas éticos estão presentes no nosso cotidiano, não apenas pela razão que apontou o filosófico grego Aristóteles ao afirmar “que o homem é um animal político”, o que quer dizer que não é da natureza do homem viver sozinho, isolado e que necessita, portanto, da colaboração dos outros para sobreviver, mas porque disso depende a existência e a felicidade da comunidade. Trazendo para as questões que tocam os dias atuais, a existência e o sucesso de um grupo encontra um dos seus alicerces na conduta e hábitos incorporados por esse grupo. A esfera individual e social, privada e pública se interceptam e são interdependentes, uma afeta a outra inevitavelmente e todas as ações que pretendem ser éticas devem ter em vista essa ligação. 

Mas, como se aplica a ética nos negócios? Qual é a importância de se ser ético nos negócios? Nos negócios podemos identificar a ética no conjunto de valores e princípios que orientam as relações com clientes, funcionários, superiores e sociedade. A postura do profissional e da empresa devem estar de acordo com a visão e a missão que se propõem a realizar. Cada grupo acaba por desenvolver uma ética própria, um conjunto de regras que passa por eleger os princípios e os valores que melhor se alinham aos objetivos. Esses valores devem estar expressos na personalidade da marca da empresa, que deve refleti-los.  Marca e ética se fundem, na medida em que defender a marca é, ao mesmo tempo, defender essa mesma ética – e vice-versa. A ética empresarial deve ser um diferencial do grupo no mercado porque tem a função de preservar a reputação da empresa.  A empresa deve ter um código de ética bem estabelecido para garantir uma imagem unificada, padronizada e positiva e para manter uma boa relação comercial com parceiros, potenciais parceiros e clientes.

O relacionamento da empresa depende da ética nos negócios. Uma boa conduta ajuda a criar fortes laços comerciais e a criação de oportunidades de crescimento e expansões por meio dos contatos e vínculos. Uma boa relação comercial busca preservar esses laços e transmitir confiabilidade a possíveis parceiros. Problemas internos que podem levar ao desequilíbrio de uma empresa podem, do mesmo modo, ser evitados a partir de uma conduta bem delineada que respeita os preceitos éticos. Do mesmo modo que uma aparência negativa pode pôr obstáculos nos relacionamentos externos, a alta rotatividade de funcionários também pode não apenas criar um ambiente ruim internamente como ter impacto negativo sobre parceiros que tenham missões e valores voltados para o social, por exemplo.  

A ética empresarial não deve ser entendida como a invenção de um conjunto de regras criadas aleatoriamente ao sabor dos interesses de particulares. Ao contrário, no domínio interno de uma empresa, regras e normas devem ser consoantes com as leis superiores de civilidade e de legalidade. O respeito às leis trabalhistas e aos direitos humanos são indiscutíveis e a ética de domínio privado deve ser pensada à luz da legislação vigente. O caráter de uma empresa, e de sua marca, define-se a partir da apreciação desses valores e na maneira como o grupo incorpora tais valores no dia a dia e nos negócios. Cada vez mais se exige do ramo empresarial reponsabilidade social e uma atuação mais ética e humanista em relação às minorias e ao meio ambiente.   

Por fim, a ética nos negócios dispensa cada vez menos pautas e demandas que estão em debate na sociedade. Temas como sustentabilidade, questões de gênero, racismo e corrupção põem em questão valores que a empresa não deve simplesmente desconsiderar, caso não tenha a ver com seus interesses imediatos.  Uma empresa é um agente não apenas do mercado, mas da sociedade e deve estar consciente das demandas e valores que mudam de tempos em tempos. A ética no domínio privado de uma empresa deve estar atenta a essas questões e na medida do possível incorporar novos preceitos que atendam a essas demandas. Uma empresa que se quer preparada para os desafios do século XXI deve dialogar com a sociedade, afinal, um bom negócio passar por ponderar entre as circunstâncias e as oportunidades de maneira ética.  

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